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Crea-GO discute providências para captação de água do Rio Meia Ponte em Seminário

         O Crea-GO promoveu na tarde de hoje (28/2), em seu auditório, o seminário “Providências de curto, médio e longo prazos para a captação de água no Rio Meia Ponte”, com o objetivo de apresentar os projetos em andamento e discutir providências a serem tomadas para garantir em definitivo a quantidade e a qualidade de água oferecida pelo Rio Meia Ponte para o abastecimento da Região Metropolitana de Goiânia. O Seminário reuniu cerca de 80 participantes.

     Na abertura do evento, o dispositivo de honra foi composto pelo presidente do Crea-GO, Eng. Francisco Almeida; pelo Superintendente de Recursos Hídricos da Secretaria de Meio Ambiente, Recurso Hídricos, Infraestrutura, Cidades e Assuntos Metropolitanos de Goiás (Secima), Eng. Civ. Alexandre Kepler Soares; pela Tec. em Saneamento Jacqueline Rocha Santos, que faz parte da gerência de Proteção de Mananciais da empresa Saneamento de Goiás (Saneago); pelo promotor Delson Leone, coordenador do Centro de Apoio Operacional do Meio Ambiente (CAOMA), do Ministério Público do Estado de Goiás; e pelo Eng. Florestal Leo Lince do Carmo Almeida, supervisor de Meio Ambiente da Agência Goiana de Assistência Técnica, Extensão Rural e Pesquisa Agropecuária (Emater).

 

O evento reuniu cerca de 80 pessoas no auditório do Crea-GO
O evento reuniu cerca de 80 pessoas no auditório do Crea-GO

     Em sua fala, Francisco destacou que o Crea-GO, além de cumprir o seu papel de fiscalizar o exercício profissional, exerce, conforme dispõe a lei nº 5.194/66 do Sistema Confea/Crea, a função de proteger os interesses da sociedade e “tudo que envolve engenharia, agronomia e meio ambiente, possui técnicas dos nossos profissionais embutidas”. Ele ainda comentou sobre os esforços individualizados de várias instituições para encontrar uma solução para os problemas da bacia do Rio Meia Ponte, principalmente na questão da água. “A intenção, ao realizar essa reunião técnica, é criar um grupo de trabalho, com a coordenação do Crea, para que haja o desenvolvimento de ações em conjunto e ir em busca de recursos financeiros junto ao Estado para solucionar de vez os problemas de abastecimento de Goiânia, propondo soluções de curto, médio e longo prazos. Neste auditório temos vários profissionais da área tecnológica que podem contribuir sobremaneira. As propostas aqui elencadas serão encaminhadas, posteriormente, para os governantes de Goiás”. Os representantes das demais instituições agradeceram o convite do Crea e demonstraram disposição para trabalhar em conjunto e resolver de vez o problema do abastecimento de Goiânia.

     Apresentações – O superintendente de Recursos Hídricos da Secima, Eng. Civ. Alexandre Kepler Soares, foi o primeiro a palestrar sobre “Outorga de pivôs centrais no Rio Meia Ponte”, apresentando um panorama geral de como está situação hidrológica da Bacia do Alto Rio Meia Ponte, que diz respeito ao abastecimento público da região metropolitana de Goiânia, e também da Bacia do Ribeirão João Leite. “Na apresentação deste diagnóstico, vamos mostrar algumas soluções de curto, médio e longo prazos. Em curto prazo, a equipe da Secima tem feito uma série de revisões em relação aos usos já outorgados (medidores de vazão, estações telemétricas etc.) e uma intensificação na fiscalização com a retirada de uso irregulares que possam prejudicar não só o abastecimento público como irrigação, indústria ou outros usos já regulares e instalados na região. Para médio e longo prazos, ações que demandam revitalização da bacia, despoluição do rio e o Estado vai ter que estabelecer sua politica  para os próximos 10 ou 20 anos. Infelizmente, o Rio Meia Ponte está com qualidade da água degradada na região metropolitana de Goiânia; e agora, com a crise hídrica, a parte quantitativa também. Temos um rio necessitando de cuidados especiais”, resumiu.

 

Alexandre Kepler falou sobre “Outorga de pivôs centrais no Rio Meia Ponte”
Alexandre Kepler falou sobre “Outorga de pivôs centrais no Rio Meia Ponte”

      Já a Tec. em Saneamento Jacqueline Rocha Santos, que faz parte da gerência de Proteção de Mananciais da Saneago, apresentou o projeto que foi resultado de um processo seletivo do Fundo Nacional de Meio Ambiente, que selecionou algumas empresas de saneamento para aplicar recursos em áreas de proteção permanente e mananciais de abastecimento público. “No caso da Saneago, os recursos, estimados em R$ 2,8 milhões, serão aplicados na recuperação da Bacia do Rio Meia Ponte. O projeto pretende recuperar as áreas de proteção permanente, ou seja, as matas ciliares e as nascentes dos córregos de toda a bacia do Meia Ponte, aumentando, assim, o quantitativo de água do manancial”. Ela ainda acrescentou: “o Rio Meia Ponte, atualmente, consta entre os 18 mananciais mais críticos da Agência Nacional de Aguas (ANA). No ano passado, o rio vivenciou o pior momento de escassez de água sentida por toda população de Goiânia. O Meia Ponte está muito degradado, tanto em relação ao quantitativo de água, quanto em qualidade’, observou.

 

Jacqueline Rocha Santos apresentou o projeto que selecionou algumas empresas de saneamento para aplicar recursos em áreas de proteção permanente e mananciais de abastecimento público
Jacqueline Rocha Santos apresentou o projeto que selecionou algumas empresas de saneamento para aplicar recursos em áreas de proteção permanente e mananciais de abastecimento público

     O promotor Delson Leone, que é coordenador do Centro de Apoio Operacional do Meio Ambiente (CAOMA), do Ministério Público do Estado de Goiás, exibiu um panorama geral da atuação do MP-GO – dentre eles o projeto Meia Ponte Vivo – e parceiros em relação ao Rio Meia Ponte. “Nosso projeto visa recuperar a bacia hidrográfica do Rio Meia Ponte que possui grande importância por localizar-se no centro-sul do Estado de Goiás, na região central do Brasil e abastecer a capital do Estado. O Rio Meia Ponte é um dos 36 afluentes da bacia do Rio Paranaíba. É a mais importante do Estado de Goiás e corresponde a 3,6% do território, onde estão inseridos 39 municípios. Trata-se de uma região acentuadamente populosa, com elevada densidade demográfica nos municípios de Goiânia, Aparecida de Goiânia, Anápolis, Senador Canedo e Itumbiara, perfazendo aproximadamente 3,131 milhões de habitantes (48% do Estado), segundo estimativas de 2016 do IBGE”. E acrescentou: “é preciso que haja investimento em equipamentos e em infraestrutura para que Goiás se torne um porto seguro. No projeto do MP já foi feita a identificação, o monitoramento das nascentes recuperadas e agora vamos fazer a distribuição de cartilhas educativas ao longo das margens do Rio Meia Ponte. É preciso entender que não existe milagre para o Meia Ponte e depende de todos fazer algo diferente com a participação efetiva da população, Estado, MP, Emater, Secima, Saneago e outros”.

 

O coordenador do CAOMA, Delson Leone, exibiu um panorama geral da atuação do MP-GO
O coordenador do CAOMA, Delson Leone, exibiu um panorama geral da atuação do MP-GO

     O Eng. Florestal Leo Lince do Carmo Almeida, que é supervisor de Meio Ambiente da Emater, explicou na sua apresentação que a parceria instituída entre a Emater e a Saneago consiste em trabalhos de campo, de levantamento e escolha das propriedades onde os trabalhos são executados. “Levantamos e cadastramos 50 pequenas propriedades em Itauçu, verificamos a situação de degradação das nascentes, iniciamos o cerco e a recomposição das matas ciliares para melhorar o ecossistema natural e, assim, melhorar a qualidade da água. Posteriormente, faremos os trabalhos de conservação de solo”. Depois de mostrar fotos dos trabalhos executados e depoimentos positivos dos proprietários participantes do projeto, o engenheiro afirmou que o cercamento das nascentes ainda continua sendo desenvolvido e que a Emater disponibilizou 21 carros para a realização de todo o trabalho.

 

Em sua palestra, Leo Lince tratou, entre outros assuntos, da parceria instituída entre a Emater e a Saneago
Em sua palestra, Leo Lince tratou, entre outros assuntos, da parceria instituída entre a Emater e a Saneago

     O presidente nacional da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (ABES) e superintendente da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (SABESP), Roberval Tavares de Souza, contou a experiência vivida na capital nas crises hídricas de 2014 e 2015, quando a precipitação da água chegou ao menor recorde histórico, registrando apenas 20% do volume médio de chuva na região metropolitana de São Paulo. “Para enfrentar a crise, atuamos em quatro pontos: primeiro, criamos práticas para melhorar a demanda, dando bônus para quem economizasse o consumo em 2014 e aplicando multa prevista em lei, já em 2015, para quem ultrapassasse sua media de consumo. Segundo: realizamos obras de curto e médio prazos para integrar o sistema fazendo reversões dos mananciais para gerar equilíbrio. Terceiro: promovemos a redução da perda de água, diminuindo a pressão no período noturno, entre 23 e 5 horas da manhã. Por último, preparamos ações de longo prazo, que já estão sendo executadas, para nos preparar para possíveis novas crises com proporções vividas em 2014 e 2015. São duas grandes obras que nos deixarão preparados para precipitações baixas.

 

Roberval Tavares de Souza falou da experiência de São Paulo nas crises hídricas de 2014 e 2015
Roberval Tavares de Souza falou da experiência de São Paulo nas crises hídricas de 2014 e 2015

     Após as apresentações, foi composto novo dispositivo de honra com a participação do Eng. Francisco Almeida, do Eng. Civ. Alexandre Kepler Soares, do promotor Delson Leone, do Eng. Florestal Leo Lince do Carmo Almeida; de Jalles Fontoura de Siqueira; e de Roberval Tavares de Souza, para sessão de perguntas e respostas. O debate encerrou o seminário. O presidente do Crea-GO criou o e-mail Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. para o envio de propostas que, posteriormente, serão sistematizadas pelo assessor institucional do Crea-GO, Eng. Civ. Antônio de Pádua Teixeira.

     O Seminário contou ainda com a presença do promotor de Justiça Rômulo Gomes de Paula, do MP-GO; da assessora de Saneamento Básico da Agência Goiana de Regulação (AGR), Lorrayne Souza Silva Duarte; do vereador Gustavo Cruvinel, presidente da Comissão de Meio Ambiente, da Câmara Municipal de Goiânia; da presidente do Sindicato do Trabalhador Rural de Itauçu, Maria José Souza Braga; presidente da Associação dos Engenheiros Agrônomos de Goiás (AEAGO), José Reis;  superintendente de Planejamento da Secretaria Municipal de Planejamento e Urbanismo (Seplam), Henrique Alves Luiz Pereira, representando o prefeito Iris Rezende; e a Eng. Lúcia Helena Santos Pinheiro, representante da presidente da Abes-GO, Marisa Pignataro.

 

Ao final do evento, Leo Lince (E), Jalles Fontoura, Delson Leone, Francisco Almeida, Alexandre Kepler e Roberval de Souza (D), respondem às perguntas dos participantes
Ao final do evento, Leo Lince (E), Jalles Fontoura, Delson Leone, Francisco Almeida, Alexandre Kepler e Roberval de Souza (D), respondem às perguntas dos participantes

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