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Crea-GO apresenta relatório de vistoria de pontes e viadutos de Goiânia

O Crea-GO apresentou, na manhã desta quarta-feira (12/3), durante coletiva de imprensa, o Relatório de Vistoria das Obras de Arte Especiais (OAE’s) de Goiânia 2019, trabalho coordenado pelo conselheiro regional Eng. Civ. Ricardo Barbosa Ferreira e pela coordenadora de Planejamento e Qualidade do Crea-GO, Eng. Civ. Rosana de Melo Brandão.

Para realizar o trabalho de vistoria técnica, iniciado em 8 de maio de 2012, foi formado um grupo multidisciplinar de engenharia colaborativa, composto por profissionais do Crea-GO, da Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC Goiás), do Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias de Engenharia do Estado de Goiás (Ibape-GO) e consultores independentes, a convite do Conselho.

A atividade foi destinada à realização de vistorias em pontes e viadutos – definidas como Obras de Arte Especiais (OAE) – de Goiânia, com base na norma ABNT NBR 9452:2016, que descreve uma metodologia para classificar o estado de conservação das estruturas. No total, foram vistoriadas 68 OAE’s na Capital, sendo 51 pontes e 17 viadutos. Os viadutos da Av. 85 não foram vistoriados em razão do revestimento, que impede a realização de vistorias.

A ideia foi estabelecer critérios de priorização para intervenções corretivas, com vistas a elevar a vida útil das estruturas, garantir sua estabilidade estrutural e segurança para seus usuários, além de minimizar custos destinados à reabilitação de OAE’s.

“Toda e qualquer estrutura de concreto, após seu processo de execução, necessita de um acompanhamento e monitoramento no intuito de preservar suas características estruturais, funcionais e de durabilidade ao longo de sua vida útil de projeto”, cita o relatório.

Ainda no documento, é destacado que “a maior parte dos acidentes relacionados às OAE’s está diretamente ligada à falta de manutenção e medidas preventivas de conservação no que tange aos parâmetros funcionais, estruturais e de durabilidade”.

A falta de manutenção preventiva também acarreta vários transtornos aos usuários e à sociedade como um todo, como: danos à integridade física, perdas materiais e econômicas, redução do comércio local, redução da mobilidade urbana, aumento dos trajetos de deslocamento e perda de horas produtivas em engarrafamentos de trânsito.

 

O Eng. Civ. Ricardo Ferreira apresenta os principais pontos do relatório de vistoria de pontes e viadutos de Goiânia em coletiva de imprensa
O Eng. Civ. Ricardo Ferreira apresenta os principais pontos do relatório de vistoria de pontes e viadutos de Goiânia em coletiva de imprensa

Apresentação – Fizeram parte da mesa de autoridades da apresentação do relatório, durante a coletiva, o presidente do Crea-GO, Eng. Francisco Almeida; o vice-presidente do Conselho, Eng. Civ. Ricardo Veiga; o conselheiro do Crea-GO e presidente do Ibape-GO, Eng. Civ. Lamartine Moreira Júnior; o diretor da Escola de Engenharia da PUC Goiás, Eng. Fábio Sá Simões; e o conselheiro do Crea-GO, professor da PUC Goiás e coordenador do trabalho, Eng. Civ. Ricardo Ferreira.

Para o presidente do Conselho, Eng. Francisco Almeida, o objetivo do estudo, que será entregue à Prefeitura de Goiânia, ao Governo de Goiás, à Agencia Nacional de Transportes Terrestres e a Concessionária Triunfo Concebra,  nos próximos dias, é alertar e apresentar soluções para os problemas. “Não queremos apenas criticar, mas apresentar soluções técnicas para os problemas da Engenharia, da Agronomia e das Geociências em todo o Estado de Goiás. Precisamos agir para alcançar o desenvolvimento sustentável de Goiânia e de Goiás”, destacou.

Ricardo Ferreira foi o responsável pela apresentação do trabalho. De acordo com o coordenador, o pior problema é a falta de controle de umidade das pontes e viadutos de Goiânia. “Precisamos de um sistema de drenagem que funcione e afaste a água dessas obras de arte. Nenhum empreendimento da construção civil convive bem com a passagem de água, que normalmente torna a estrutura muito úmida e acarreta uma série de problemas estruturais, como, por exemplo, a corrosão de armaduras”, afirmou.

Ainda de acordo com o engenheiro, a primeira providência que deve ser tomada pelos gestores das pontes e viadutos é de baixo custo. “De maneira primordial, devemos cuidar de um bom sistema de drenagem para as nossas pontes e viadutos. Isso já vai tornar a vida útil dessas estruturas muito maior. Esse sistema é barato e deve ser implantado em curto prazo e de maneira generalizada, uma vez que quase 80% das pontes apresentam alguma falha no sistema de drenagem e, onde há umidade, há problema grave”, ressaltou o engenheiro.

O coordenador do estudo ainda ressaltou que nenhuma das estruturas estudadas requer interdição imediata. “As pontes estão em operação normal, mas apresentam problemas que requerem avaliações e intervenções, algumas mais rápidas e outras menos. Mas os gestores precisam tomar prioridades, para que o diagnóstico seja aprofundado e possa originar uma intervenção assertiva, a fim de neutralizar o problema e restituí-las ao que eram antes”, frisou o engenheiro, se referindo às pontes identificadas como estando em piores condições pelo estudo.

Conclusões – Como conclusão do estudo, foram identificadas um total de 230 ocorrências de manifestações patológicas. A aplicação da metodologia do Grau de Deterioração (Gd) apontou a ponte localizada na Av. T-63, sobre o córrego Cascavel, como a de maior prioridade de intervenção, sendo que o relatório conclui que 10 OAE’s (15% do total) necessitam de intervenção imediata ou de curto prazo, além de inspeções extraordinárias ou especiais.

Seguem a ponte da Av. T-63, no ranking de acordo com o grau de deterioração, as OAE’s localizadas na Av. das Pirâmides, Av. Acary Passos, Av. T-9 e Rua José Hermano. As estruturas necessitam de maior atenção por parte das autoridades responsáveis por sua gestão, uma vez que, de uma forma geral, estão localizadas em vias de maior atividade e fluxo.

Para os responsáveis pelo trabalho, no intuito de proteger as estruturas, reduzir os riscos de colapso estrutural e, concomitantemente, os custos de manutenção durante a vida útil das pontes e viadutos, é necessário dar continuidade ao trabalho de vistorias, além de realizar manutenções preventivas, que permitirão o aumento da vida útil das estruturas.

Ainda de acordo com o relatório, é necessário restaurar, adequar e inserir dispositivos de drenagem (drenos, pingadeiras e buzinotes), evitando fenômenos de empoçamento e aquaplanagem, além de pontos úmidos e lâminas de água – eventos frequentes nas estruturas da cidade de Goiânia. Dessa forma, será possível manter a segurança das estruturas e o bem-estar da população goianiense.

 

Ponte da Avenida T-63 sobre o Córrego Cascavel foi elencada como a de maior prioridade de intervenção (Foto: Carvalho e Bandeira, 2018)
Ponte da Avenida T-63 sobre o Córrego Cascavel foi elencada como a de maior prioridade de intervenção (Foto: Carvalho e Bandeira, 2018)

Política Estadual de Segurança de OAE’s – Também a partir do estudo, o grupo responsável pelo trabalho propõe a criação de uma Política Estadual de Segurança de OAE’s (PESOAE). A partir dela, deve ser concebido um Sistema de Informações sobre Seguranças de OAE’s, semelhante ao que já foi criado pelo Conselho, na Plataforma ArcGIS, com os pontos vistoriados georreferenciados com todas as informações pertinentes e disponíveis online.

A PESOAE também servirá para otimizar a aplicação de recursos de manutenção e recuperação de obras de arte especiais; integrar as partes envolvidas, garantindo a troca e transferência de informações e expertise; e garantir a observância de padrões de segurança de OAE’s, de maneira a reduzir a possibilidade de acidente e suas consequências.

Regulamentar as ações de segurança a serem adotadas nas fases de planejamento, projeto, construção, operação e desativação de OAE’s; criar condições para que se amplie o universo de controle das obras pelo poder público, com base na fiscalização, orientação e correção das ações de segurança; e fomentar a cultura de segurança de OAE’s e gestão de riscos também são ações que devem ser atendidas pela Política.

 

Mapa de situação de pontes e viadutos de Goiânia, de acordo com as prioridades de intervenção, elaborado pelo Crea-GO
Mapa de situação de pontes e viadutos de Goiânia, de acordo com as prioridades de intervenção, elaborado pelo Crea-GO

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