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É preciso planejar

Francisco Almeida*
Francisco Almeida*

De acordo com levantamento apresentado em 2018 pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), o Brasil tem mais de 7.400 obras financiadas com recursos federais que estão paralisadas, considerando-se apenas aquelas incluídas no programa “Agora é Avançar”. Para que elas fossem retomadas e concluídas, o país precisaria investir R$ 76 bilhões. Em Goiânia, a Comissão Especial de Inquérito das Obras Paralisadas, da Câmara Municipal, apontou 131 obras em seu relatório final, com um valor total superior a R$ 900 milhões. Não há levantamento semelhante feito sobre obras estaduais, mas as notícias sobre obras paralisadas e falta de repasses contratados em Goiás são recorrentes na imprensa.

O País, em seus diferentes níveis de Governo, não tem dinheiro e está desperdiçando até mesmo suas intenções. São obras iniciadas sem planejamento, sem projeto viável, que são licitadas e contratadas, com parte significativa de seus recursos liberados e, às vezes, por deficiência na fiscalização, têm a conclusão inviabilizada pela má qualidade do serviço executado.

Além desses casos, existem outros em que obras executadas com recursos federais estão prontas e o Município não tem como arcar com as despesas de seu funcionamento e manutenção. Não houve planejamento, destinando-se a obra apenas para canalizar recursos desviados para outras finalidades.

E quando nos referimos a projetos, não estamos falando apenas sobre os projetos de engenharia relacionados às obras e à infraestrutura. Em todas as etapas do planejamento, eles são necessários, como, por exemplo, os projetos econômicos, sem os quais é impossível estabelecer metas compatíveis entre o desenvolvimento e a realidade financeira, sempre inferior às necessidades do Estado de prestar serviço público de qualidade. Os projetos de combate a desigualdades regionais também são imprescindíveis para o desenvolvimento do Estado e, além de levar em conta os outros dois – de engenharia e econômico –, devem ser elaborados a partir dos indicadores sociais que, no estado de Goiás, têm no Instituto Mauro Borges sua principal fonte, capacitada e confiável.

O planejamento bem feito é a única maneira de atingir bons resultados. Isso exige uma equipe habilitada para a elaboração de projetos e sua execução, levando-se em conta também a necessidade da manutenção das edificações durante toda a sua vida útil. O planejamento levará em conta as necessidades reais, a melhor solução técnica e a disponibilidade financeira, caminho seguro para alcançar o equilíbrio entre as receitas e as despesas, fundamental para o sucesso de qualquer governo.

 

* Francisco Almeida é engenheiro e presidente do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Goiás (Crea-GO).

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