Eng. Civil Antonio de Padua Teixeira
Publicado: 01/07/2019 - Fonte:
Eu era menino, tinha nove anos em 1958 quando vim com meu pai de Monte Carmelo para Brasília. Pegamos o trem da Rede Mineira de Viação até Goiandira e fizemos uma “baldeação” para o trem da Goiás até Vianópolis, onde pegamos um ônibus para Brasília. As alternativas eram mais complicadas. Aqui no interior o trem era o meio de transporte por excelência, para pessoas e para a carga em geral. Tudo viajava no trem que hoje só existe na nossa memória.
Na sexta-feira, 7 de junho, aconteceu em Vianópolis um seminário para discutir a implantação de um trem turístico na Região da Ferrovia em Goiás, um sistema que foi vital para o desenvolvimento de vários municípios e hoje está subutilizado, transportando apenas graneis em alguns trechos e nada de passageiros.
Essa reunião foi promovida pelo consórcio dos municípios da Região da Estrada de Ferro, presidido pelo prefeito de Silvânia, José Faleiros, constituído para reativar o transporte de passageiros neste trecho hoje sob concessão da Ferrovia Centro Atlântica - FCA, tendo como objetivos o incentivo à cultura e ao turismo. O ponto principal da programação foi a apresentação, pelo presidente da Associação Brasileira de Operadoras de Trens Turísticos e Culturais - Abottc, Adonai Aires, de experiências semelhantes que funcionam no Paraná, no Mato Grosso do Sul e no Espírito Santo. Apesar do êxito desses exemplos ele alertou para as dificuldades que deverão ser encontradas. O contrato determina que a FCA permita a circulação de trens de passageiros mas, segundo ele, os obstáculos criados pela empresa são tantos que fica praticamente impossível transformar esse sonho em realidade.
A revitalização dessa ferrovia poderia promover também diversos produtos encontrados em praticamente todos ao municípios ao longo do trecho, como uma grande diversidade de produtos derivados do leite e da mandioca, as cachaças de boa qualidade, o mel. Ao lado do artesanato, são alguns exemplos que poderiam incentivar um turismo gastronômico e cultural, resgatando também a História dessa ferrovia que chegou a Anhanguera em 1913, a Anápolis em 1935 e apenas em 1950 a Goiânia.
Ao inaugurar a rodovia até Anápolis, Juscelino disse que a obra era muito importante porque ligava Brasília à ferrovia, fundamental para a construção da nova capital. Na verdade ele não pensava bem assim, porque ele nunca estendeu a ferrovia até Brasília. Sua visão era apenas rodoviarista e todos os incentivos foram para a indústria automobilística. As ferrovias brasileiras têm hoje a mesma extensão que tinham em 1920 e metade foi abandonada com a conivência da Agência Nacional de Transportes Terrestres, ou está sendo subutilizada, como o trecho goiano da antiga Estrada de Ferro Goiás.
Eng. Civil Antonio de Padua Teixeira
Assessor Técnico do Crea-GO
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